⚠️ Conteúdo sensível. Falo aqui de depressão, de exaustão e do fundo onde cheguei. Se hoje não for dia para isso, guarda para outro — o texto fica cá.

Volto a passo lento, depois de quase 3 meses ausente. Sem saber muito bem como, mas em frente é que é o caminho.
Quando partilhei que iria estar mais ausente, não imaginava o tamanho do estrago. Eu sabia que carregava um peso enorme, mas sempre carreguei. Dizia para mim mesma que era só mais uma fase. Já tenho calo e experiência, um dia de cada vez.
Até ao dia em que o peso já tinha formado um buraco tão grande que se tornou quase impossível de carregar.
Cheguei ao ponto de pensar — e de pesquisar como e quanto custava — retirar o Ana do meu nome. Chamo-me Ana Sofia. Ana era a minha avó, forte e resiliente, que me ensinou muito e a quem sou grata. Mas com o nome veio também a identidade de “eu consigo, irei sempre conseguir”. E não deixa de ser verdade, mas eu estava exausta e farta. Estava farta de ser forte! Não queria ser sempre forte e resiliente.
Desejei um coma induzido de no mínimo quinze dias. E o colapso acabou por acontecer.
No dia 2 de junho fui oficialmente diagnosticada e medicada com depressão. Uma depressão que, pelos vistos, já me fazia companhia há vários anos, disfarçada pela resiliência e por uma PHDA não tratada.
Ironicamente, a minha saúde piorou logo a seguir. Tive todos os efeitos secundários da medicação, que me deixaram de rastos: sem dormir, dias a fio no sofá em modo de economia de energia, guardada para o essencial. Ganhei uma infeção na garganta, fiquei sem o mesmo dente duas vezes, parti a balança da cozinha e tomei mais medicamentos do que alguma vez me lembro.
Tenho muito a agradecer ao Dr. João Camilo, o meu Psiquiatra. Apesar de instável, a confiança que tinha e tenho nele fez com que a esperança nunca desaparecesse.
Em meados de julho as melhorias começaram a aparecer. A energia física e o movimento vieram e começaram a ficar mais estáveis. Mentalmente, ainda não.
Aproveitei-a para fazer pequenas coisas, depois bricolage, arrumações, e sim, voltei a mudar os moveis de lugar, faz parte. Apesar de não sentir satisfação em nada, movi-me. Mantive-me ativa o mais que como podia.
Ainda assim, fui conseguindo manter os envios e as entregas de fermentação natural, mesmo que no mínimo.

Caí abruptamente para trás a experimentar os patins do meu filho. Se a curiosidade matasse. Nada de grave — só dor no rabo durante uns dias.
Li, mas não muito. A capacidade não era muita. Aproveitei para ver séries e filmes e descansar o máximo possível.
Cortei o cabelo, já não aguentava o calor e o facto de andar com ele apanhado. Não podia ter feito melhor!
Aos poucos fui melhorando. Passo a passo, e a acreditar no processo. Faz parte. Não é tão rápido como tomar um Brufen para as dores, mas resulta.
Hoje estou aqui como prova disso, com melhorias bem significativas — e há três dias que me sinto mais eu.
Os dias difíceis irão sempre existir e o trabalho não acabou, é um facto. Porém, facto é também que cresci, aprendi novas capacidades e estarei sempre em constante evolução.
Um grande obrigada pelas mensagens de carinho e apoio, e por continuarem desse lado.
Beijinhos,
Sofia 🧡
Se te reconheceste nisto:
Não sou médica e o meu percurso é o meu. Se andas a carregar um peso que já não consegues carregar, fala com o teu médico de família ou procura um psiquiatra.
Em Portugal, o SNS 24 — 808 24 24 24 tem aconselhamento psicológico, todos os dias, a qualquer hora.
Cuida de ti! Não precisas de aguentar sempre, há limites para tudo.🧡🫂



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